Profissionais de RP: A Inteligência Artificial é uma ameaça ou uma aliada na sua carreira?

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Já sabemos o quanto a IA impactará a comunicação corporativa, por consequência, os profissionais que atuam na área. Sim, a perda de empregos e a extinção de algumas profissões é um perigo eminente. Mas isso não quer dizer que o profissional Relações Públicas deixará de ser necessário, muito pelo contrário, podemos observar os riscos e as demandas humanas que a própria transformação digital e tecnologia gera no mercado.

Jack Ma (Cofundador e Presidente Executivo do Alibaba Group), em sua participação no palco da Conferência Mundial de IA (2019), sustentou que o ser humano sempre será superior às máquinas por sua capacidade emocional e que quando a lógica não estiver envolvida, os seres humanos sempre serão melhores.

A visão de Ma nos faz refletir sobre as oportunidades que o RP possui nas demandas emocionais da comunicação e relacionamentos, uma vez que a IA não é capaz de ter compreensão profunda das emoções em suas experiências com seres humanos. Numa gestão de crise por exemplo, apesar da IA coletar, organizar e analisar dados, e até mesmo, fazer sugestões preditivas, elas jamais poderá realizar a gestão de uma crise de maneira eficaz, assertiva e eficiente, sem a ajuda e liderança de um ser humano, o único que pode desenvolver relações verdadeiras.

Outro ponto importante desta capacidade humana do profissional RP, é a de contextualizar considerando experiências culturais, sociais e pessoais. No cenário político, por exemplo, vimos estratégias para gerar impacto emocional nas pessoas, um exemplo foi a corrida das eleições americanas, espalhando o boato sobre que haitianos, que supostamente estariam devorando os gatos e cachorros de seus vizinhos em Ohio. É nesses momentos que as chamadas soft skills fazem a diferença.

Um artigo da Veja (2024), traz a empatia com uma nova compreensão, sendo ela uma competência neurobiologicamente fundamentada, ou seja, uma capacidade de “espelhar” aquilo que as outras pessoas estão sentindo. Segundo estudos, os neurônios-espelhos foram encontrados em humanos e atuam em diversas áreas do cérebro, contribuindo para a base das habilidades sociais. O artigo ainda afirma que, essa “ressonância emocional” que possuímos é fundamental para nossa capacidade de entender e compartilhar sentimentos.

Um insight bastante relevante é justamente sobre essa capacidade humana que temos e que empregamos em nosso trabalho, em nossas ideias, análises etc. A Inteligência Artificial não poderá realizar o que fazemos, da forma que percebemos e executamos,  pois por mais que evolua rapidamente, jamais poderá obter o que nos é natural e essencial nas atividades do Relações Públicas.

Augusto Cury (2024) afirma que “Cada ser humano, é um ser humano a ser descoberto”. Cury afirma ainda que a inteligência artificial nunca terá consciência crítica, será sempre um ser inexistente de si mesma. Sempre escravos de estímulos programados.

Dito isso, o Relações Públicas continua sendo muito relevante para as organizações e sociedade. A seguir, elenco algumas expertises que poderão ser desenvolvidas para elevar a percepção de valor dos profissionais comunicadores:

  • Gestor de Comunicação Estratégica com IA
  • Especialista em Ética e Governança na Comunicação
  • Analista de Dados de Comunicação
  • Designer de Experiências de Conteúdo
  • Gestor de Crises Mediadas por IA
  • Especialista em Storytelling
  • Consultor de Treinamentos para IA em Comunicação
  • Curador de Conteúdo Gerado por IA
  • Facilitador de Interações Humanizadas

Sobre as Hard Skills necessárias para o profissional RP atuar nas funções elencadas acima:

  • Análise e Interpretação de Dados
  • Gestão de Ferramentas de IA
  • Fundamentos de Machine Learning e Processamento de Linguagem Natural
  • SEO e Marketing de Conteúdo Avançado
  • Criação de Experiências Interativas
  • Gestão de Projetos Tecnológicos
  • Conhecimento Regulatório de Segurança e Privacidade de Dados

Soft Skills:

  • Empatia e Inteligência Emocional
  • Pensamento Crítico
  • Criatividade e Inovação
  • Capacidade de Adaptação
  • Ética e Consciência Social
  • Comunicação Interpessoal

Nosso maior desafio agora não é aprender novas habilidades, afinal, o cérebro humano possui essa capacidade segundo o conceito da “Neuroplasticidade”.

“A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro em se adaptar, do neurônio, por exemplo, formar novas conexões. Ou seja, ele passa a se comunicar com outros neurônios com os quais não se comunicava antes” explica Raphael Spera, médico do setor de saúde suplementar da Divisão de Clínica Neurológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.  (JORNAL USP. Julia Estanislau. 2023)

Nosso maior desafio é a velocidade em que precisamos aprender. Se observarmos a velocidade em que avançam as tecnologias, claramente será gerado em nós, um senso de urgência.

Em um de seus artigos no LinkedIn, Martha Gabriel (2019) diz que a tecnologia continua avançando em ritmo exponencial adquirindo inteligência, enquanto a humanidade tenta acompanhar essa velocidade frenética. Gabriel afirma que: “Toda a nossa evolução humana se baseou nesse princípio fundamental – nos adaptarmos o mais rapidamente possível ao novo ambiente que se apresenta.”

Adaptação e do Aprendizado Contínuo

Guga Peccicacco (2024) é Gerente de Comunicação e RP. Em um de seus mais recentes artigos alerta: “O resgate da comunicação começa hoje, com cada um de nós. Estamos diante de uma oportunidade única de redefinir nossa profissão e nosso impacto no mundo dos negócios e na sociedade”. Esta declaração reforça a percepção de que profissionais que atuam como RP, estão alertas e ativos na busca por sua adaptação profissional e particular, bem como do grupo às novas demandas e mudanças do mercado e sociedade.

Alguns caminhos podem ser trilhados nesta nova jornada de aprendizado do RP. Cursos de formação, Workshops, Webinars, Mentorship são alguns deles. Para este mercado moderno, precisamos continuamente buscar desenvolver ambas as categorias de habilidades:

  • Hard Skills: são as habilidades técnicas e específicas que podem ser aprendidas por meio dos recursos mencionados acima, incluindo treinamentos e experiências práticas. São demonstráveis e mensuráveis.
  • Soft Skills: definimos como habilidades interpessoais e comportamentais relacionadas a como nos comunicamos, colaboramos e nos adaptamos ao meio em que estamos inseridos. Alguns exemplos são: empatia; comunicação eficaz; inteligência emocional; adaptabilidade e pensamento crítico.

Segundo artigo da G4 Educação (2023), as ocupações que fazem uso intensivo de habilidades socioemocionais devem representar dois terços de todos os empregos existentes. Além disso, tais habilidades serão ainda mais demandadas pelos líderes.

De acordo com a InfoJobs, 77,2% dos recrutadores consideram as duas habilidades (soft skills e hard skills) igualmente determinantes em processos seletivos.

Este novo momento nos leva a buscar o aprendizado contínuo, e o digital nos traz muitos recursos para otimizarmos o tempo, e avançarmos de maneira mais rápida nos estudos, seja através de vídeos, ouvindo podcasts de especialistas ou até mesmo lendo artigos em fontes confiáveis. A realidade é que já temos tudo de que precisamos para evoluir em uma jornada contínua de aprendizado. Basta que desenvolvamos o hábito do estudo no dia a dia, e eu particularmente acredito que, esta é a única maneira de conseguir uma adaptação e atualização na velocidade necessária para acompanhar as mudanças.

Profissionais nascidos entre 1965 e 1980, que já estão no mercado há muitos anos, e trabalhavam com comunicação na época em que nem internet e celulares existiam, possuem grande habilidade de adaptação. Esses profissionais são resilientes e versáteis, pois enfrentaram grandes transformações no mundo, possuindo considerável influência no mercado de trabalho em que atuam.

Com experiência profissional média de 20 anos e muita disciplina no trabalho, a geração X tomou conta da maior parte dos postos de liderança nas empresas. Por ter encontrado mais dificuldade para subir na hierarquia corporativa, em razão do prolongamento da carreira dos babys boomers, os nascidos na geração X trocaram de emprego na casa dos 40 anos, abrindo negócios próprios e tornando-se empreendedores de sucesso. (KOTLER.2021, p.38)

Neste contexto e história, a adaptação desses profissionais da geração X, hoje em sua maioria líderes, é só mais um desafio dentre tantos que eles já venceram no passado. Claro que, estamos diante de um marco inédito e de maior complexidade, não podemos reduzir ou comparar a importância das novas tecnologias e sua influência no mercado e sociedade.

Concluindo, este é o momento em que muitos de nós estamos vendo o que há anos atrás assistimos em filmes de ficção científica. Carros autônomos, tecnologias avançadas, inúmeras formas de automação, inteligência artificial acessível a todos. É um novo momento, e o que faremos dele é uma escolha que impactará nosso futuro e as futuras gerações. A comunicação sempre será necessária, as relações humanas são base para a nossa sobrevivência e bem-estar. Existem riscos que nos preocupam, a nossa privacidade, segurança de nossos dados, autonomia em nossas escolhas, nossas oportunidades e carreira profissional.

Fica claro que como comunicadores, não temos outra alternativa senão a adaptação e o desenvolvimento das habilidades técnicas e comportamentais, que hoje as empresas e sociedade demandam por consequência de uma nova cultura digital e transformação digital na comunicação corporativa. Precisamos auxiliar líderes e gestores neste tempo desafiador e ainda mais competitivo. Com novas expertises, cuidar da reputação das marcas, encantar os diversos públicos de um jeito novo, utilizando novas ferramentas de trabalho e um novo raciocínio mais estratégico e analítico.

Sobretudo, eu acredito que como profissionais de comunicação, podemos colaborar como guardiões dos relacionamentos e experiências autênticas, podemos influenciar humanos e máquinas à uma comunicação que respeita cada indivíduo em suas particularidades e direitos com ética e verdade, e impulsionar organizações no mercado de maneira eficiente e eficaz.

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